quinta-feira, 4 de agosto de 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
O QUE FOMOS, PARA ONDE VAMOS!!!!
Todos nós (ainda que para
alguns se custe a acreditar) já fomos crianças. Mas o mais incrível, e após
cuidada analise, cheguei à conclusão que muitos de nós nem aqui, neste mundo deveríamos
estar. Apreciando os factos, é com grande surpresa e admiração que chego à
conclusão que sem saber como, eu sobrevivi sem grandes mazelas…… Passo a
explicar:
Cresci a assistir a matanças
de porcos e borregos. Acompanhei o meu avô e tios em muitas pescarias e
caçadas. Vi as minhas avós a matar muitas galinhas e perus. Sempre brinquei aos
índios e cowboys de pistola e flechas, fiz fisgas e até guerras de
atira-caricas. Sempre que ia aos meus avós, quando podia ajudava-os (e gostava
bastante) com o seu pequeno rebanho de ovelhas. Com 13/14 anos de vez em
quando, aos fins-de-semana trabalhava no campo (depois passou a ser mais regularmente!)
Por tudo aquilo que vejo hoje, posso constatar
que tive uma infância do mais violento possível. Assisti a todo o tipo de violência
possível, quer para com os animais, quer para comigo próprio, pois pelo que
vejo agora, fui vítima de exploração infantil.
Bastante me admira, que com um passado de selvajaria,
ferocidade e atrocidade, eu não esteja preso, ou num qualquer cemitério (e
quando falo em cemitério, refiro-me a enterrado e não a trabalhar como
coveiro). Por tudo o que passei nos primeiros anos de vida (aqueles que
supostamente nos servem de maior exemplo) deveria ter-me tornado pescador,
caçador, matador de animais, um ser vil, sem escrúpulos, sem rancor…. Quiça um assassino,
usando a violência de forma gratuita, sem qualquer pudor e com repulsa pelas
vidas que me rodeiam. Sentimentos e emoções tais como: Carinho, amor, afecto,
compaixão, carácter, etc…não deveriam fazer parte do meu vocabulário, nem se
iriam enquadrar no meu ADN.
Mas não!!!!! Não me transformei em nada
disso! Não sou pescador, caçador, nem mato animais (à excepção de alguns mosquitos).
Encaro o passado (aquele… O meu…O que passei) como um dos maiores ensinamentos
para a vida (afinal sempre foram os anos que me serviram de maior exemplo) e
acabei por me tornar o que sou hoje. Um ser preocupado, carinhoso, atencioso,
bondoso, humano e acima de tudo (sim, porque estas duas qualidades que se
seguem são das mais importantes que devemos preservar) educado e humilde. Não
sou perfeito, nem coisa que se pareça, mas isso é outra história.
Com a certeza de saber que as próximas linhas
possam levantar alguma polémica, serão apenas uma opinião (a minha)… Julgo que nós
pais (que já fomos crianças) protegemos demasiado os nossos filhos. Não os
deixamos brincar com pistolas porque é muito violento, não podem ver filmes na
TV por causa da violência. Não podem ir à pesca com os avós, para não verem os
peixes a sofrer. Não lhe dizemos que a carne que comemos e com a qual saciamos
a nossa fome tem que ser morta por “alguém” , para poderem ser amigos dos
animais. Não podem ajudar a avó no supermercado, o avô na horta ou a tia no
café, pois estamos a explorar as crianças e há a hipótese da protecção de
menores retirar a criança à família. Quando se tornarem adultos, serão apenas
isso…
Em suma, os nossos filhos vão crescer numa “bolha”,
protegidos de tudo, por todos. Na esperança que se tornem os seres mais doces,
meigos, pacíficos, benevolentes, clementes, etc que possam existir… Corremos o risco de no futuro não haver
policias, pois “as pistolas são más” , de não haver médicos ou cirurgiões
porque “as facas fazem doi-doi”, de ninguém trabalhar em matadouros, porque “os
animais são nossos amigos”
Iremos (ou irão os nossos filhos, pois nós
pais, um dia deixaremos de cá andar) viver num mundo perfeito, mas de certeza
muito insosso. Mas isso é apenas a minha opinião, nada mais que isso…..
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